segunda-feira, agosto 20, 2007

A fé

de meu lado aquele homem simples persignava-se ao passar em frente a uma igreja. eu sorria descompromissado, pensando em como era linda aquela fé que há muito eu havia abandonado...

domingo, agosto 12, 2007

A Espera


às sombras de arbustos e abetos, teço, silenciosa, esta renda em segredo, para cobrir o homem que é meu. ao descosturar minha pele, o sol vai aos poucos enrubescendo em sua postura horizonte oeste, findando e levando consigo minha costura. mas ainda é cedo e a relva verdeja-se numa imposição resoluta, como se o sol impedisse de se pôr, à inveja sentida de tamanha beleza que é o pôr-do-sol. o azul do firmamento festeja a passagem dele, que esperará por mim enquanto teço seus bordados e recamos. seja como for: belo ou não, meu cavalheiro, gentil e assaz devoto de sua dama, a que costura fielmente os pontos de sua vida. e meus olhos então perdem-se neste buquê colhido ao campo, na esperança de que de outras mãos me viessem. quando chegar o fim da tarde, serei carregada ao colo deste que não existe, mas por quem, com todo amor, teço esta bela costura, que irá, de uma forma ou outra, cobrir meu sonho...

segunda-feira, agosto 06, 2007

O fechar de olhos que, quando intermitente, prolonga o pensamento de que tudo está errado

ouço, de vez em quando, alguma coisa gritar em mim: "marcelo, você está fazendo tudo errado!". abro os olhos então, com um pouco de força, nem que de leve seja, pois as pálpebras estão que não se podem segurar sozinhas. estão à beira de um ataque: os nevos enrijecidos, o cabelo caído...na pele, equimoses explodem aparentemente sem razão. há pouco enlutei-me de certas mágoas. elas fizeram em mim um casulo cujo formato não posso distinguir. lúcido, ainda investigo as unhas (dos pés e das mãos), estão feitas como eu: na vida, um todo se aglomera. aos poucos refaço o que deixei de fazer e, fazendo o que a obrigação me impõe, deixo de ser. e vai-se, então, o marcelo poliglota, o marcelo risonho, o marcelo poeta, o marcelo músico, o marcelo profeta! sobra este que não fala, pequeno senhorio cuja facúndia não lhe mais é dada: porque foi triste o abandono em desprezo sofrido...que se foi por menos, muito mais querido, esta desalegria que tenho em admitir que não é mais possível ser o mesmo...

ouço, de vez em quando, alguma coisa gritar em mim: "marcelo, você está fazendo tudo errado!". por um minto sou todo concordato, e fecho os olhos, apreensivo...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Justiça

amar é a forma mais justa de ser

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